Gosto muito de acompanahar montagens dessa "arte do ator" . E pela possibilidade de ver ao vivo alguns atores fundamentais da nossa história, não perdi a oportunidade de ver no palco nomes como Paulo Autran, Othon Bastos, Glória Meneses e tantos mais. De maneira geral, porém, o talento desses gigantes dificilmente é acompanhado por uma dramaturgia do mesmo nível. Quando termina o espetáculo me acostumei a comentar algo como “o ator é fenomenal, mas o texto, a montagem...”.
Há duas semanas estreou Antes de Partir, filme de Rob Reiner com Jack Nicholson e Morgan Freeman. E como muitas das minhas experiências no teatro não espere uma grande obra, tenha somente certeza que acompanhará dois mestres na tela. Elogiar Nicholson é algo quase de praxe, mas sempre vi Freeman também como um dos excelentes intérpretes do Cinema contemporâneo. Acho que sua figura legitima e traz dignidade a muitos filmes às vezes nem tão bons como Robin Hood, Um sonho de liberdade ou Menina de Ouro (que eu acho um horror!).
Em Antes de Partir os dois veteranos são dois pacientes terminais que dividem o mesmo quarto de hospital. Após uma tomada de consciência quanto à finitude da vida, os dois cumprem uma lista daquilo que sonham fazer “antes de partir’...
Conhecendo Hollywood, não é necessário lembrar que os dois trocarão grandes lições de vida ao longo do filme. Ensinamentos da profundidade de um pires. Mas a previsibilidade não estraga alguns bons momentos entre os dois. Seja com o sarcasmo de Nicholson ou na nobreza de Freeman, Antes de Partir é uma “sessão da tarde” de (boa) qualidade.

















