analy

4 de abr. de 2009

Luz silenciosa

plano do filme
Um filme que ficou pouco nos cinemas. Mas que vi agora em dvd e possui realmente muita força. Luz silensiosa, do mexicano Carlos Reygadas. Belíssimo, uma obra que busca registrar a transcendência, o mistério. Vejam, ou melhor, sintam o filme. Dá para alugar na 2001.

Reygadas, assim como Bresson e Dreyer, tenta com o Cinema tocar o sublime. O infinito. Irei atrás disso nos filmes que farei.

29 de mar. de 2009

O Cinema 3D


Hoje, um dos melhores filmes em cartaz é O fundo do mar. Um documentário de 40 minutos sobre belezas e mistérios do oceano, projetado nas salas Imax 3d. Faço questão de lembrar do filme por uma simples razão: Exibido em formato tridimensional, O fundo do mar é uma experiência e tanto. De alumbramento quase infantil. Audiovisual como ele dever ser.


Vejam o filme. E recomendo não pelas valiosas informações que dá ao espectador ou por seu "roteiro brilhante". Nada disso. Vejo atualmete a arte do Cinema em crise: Novas mídias, menos público, filmes horríveis... O Cinema deve se reinventar. Medida urgente. Não é só com historinha de papai e mamãe em perigo que se pode fazer filmes.

Um curta de um colega> Luis labaki. Da ECA-USP



24 de mar. de 2009

O novo cinema do velho Clint

Dois filmes de Clint Eastwood nos cinemas. A troca e Gran Torino. Difícil escolher qual é o pior entre os dois. Irritantemente convencionais tanto na forma como no conteúdo. A troca é um pretexto fajuto para encher de prêmios a estante de Angelina Jolie. Um melodrama descabelado sem competência para a construção de personagens críveis. Um maniqueísmo tão simplório como o de uma novela mexicana.

Gran Torino é um western disfarçado. O próprio Clint interpreta uma espécie de Dirty Harry aposentado que deve trazer ordem ao seu bairro contaminado de delinqüentes. Seu personagem, como acontecia na tradição do western clássico, deve se sacrificar em prol da comunidade. Banal, para dizer o mínimo.

Eastwood nunca foi um grande cineasta. Mesmo que alguns de seus filmes tenham alcançado uma rara sensibilidade no cinema americano, como no caso de Pontes de Madison e o mais recente Cartas de Iwo Jima. O alarido que há sobre sua figura e seus filmes só acontece em razão da força mítica que o velho Clint traz consigo. Ele é um mito vivo. Mas só. Seus filmes não se tornam mais relevantes por causa disso.

18 de mar. de 2009

Novas luzes sobre Hitchcock

Intrigante a leitura de Fascinado pela BelezaAlfred Hitchcock e suas Atrizes, editado pela Laurosse. A terceira biografia do crítico norte-americano Donald Spoto sobre o mestre do suspense. Nessa nova obra, verdadeiras hecatombes sobre a vida pessoal de Hitchcock são reveladas cruamente. Ao invés de um gordo simpático e bonachão, que era como Hitchcock gostava de se vender, conhece-se agora um homem sexualmente reprimido, sádico e imaturo. Obsessivo e infeliz.

Disse uma vez o cineasta ao autor: “Eu tenho todos os sentimentos de todas as pessoas presos em uma armadura de gordura”. Para Robert Boyle, constante diretor de Arte nos filmes do cineasta, Hitchcock achava que não era atraente fisicamente, mas ao mesmo tempo reconhecia que tinha os mesmo desejos que os outros sentiam e frustrava-se pelo que sentia ser uma dificuldade, se não uma impossibilidade, de experimentar o amor recíproco.

Dentre outras revelações até agora impensáveis da vida de Hitchcock estão o seu gosto por piadinhas de duplo sentido, truculência nos sets de filmagem e até casos de assédio sexual. O mais grave decorrente de sua relação quase doentia com ‘Tippi’ Hedren, sua musa em Os Pássaros e Marnie. O diretor chegou a ameaçar destruir a carreira de Hedren em Hollywood caso ela não se deitasse com ele. Barra pesada, Alfred...

Mas o mais relevante de todas essas novas informações de cunho mais privado é que agora podemos ver sua obra usando novas lentes. Dentro de uma nova perspectiva de análise e apreciação. A angústia daquele homem autoritário. Seu voyeurismo diante do mundo, suas paixões reprimidas. Tudo isso está expresso em seus filmes. Suas obras falam, mais que tudo, sobre o próprio Hitchcock. Sua dor era sua arte.

Depois da leitura do livro de Spoto, nossa compaixão por Scott (James Stuart em Vertigo), Normam Bates e Marnie devem aumentar consideravelmente. Todos eles eram facetas atormentadas do mesmo artista.

17 de mar. de 2009

Blog Reinventado!

Ano novo, vida nova. A partir deste momento o CINE-VERDADE ampliará seu leque de ações. Quero ir além, e não somente escrever sobre os filme em cartaz nos cinemas, como tenho feito até aqui. Decidi também elaborar artigos, ensaios, crônicas, sobre o Tema Cinema... Infinito como qualquer outro.

Será uma mudança que virá muito bem a calhar para todos nós; tenho certeza. Autor e leitores terão o espírito reinventado.
Vamos indo... cantando arte.
sempre mudando.

21 de jan. de 2009

Férias com Maiúscula

Caros amigos de blog,

Vou embarcar para CUBA! Viajar pela América!

Estudar o CINE-VERDADE! A 7º. Arte!

Semear novos GRÃOS DO TEMPO!

Até o mês de março escreverei somente no seguinte espaço:

http://cuba-doc.blogspot.com/

Volto em breve neste espaço. No dia 01.03.09.

Abraço a todos.

29 de dez. de 2008

Retrospectiva Nacional - 2008

Não foi um bom ano para o cinema brasileiro. Ano passado, pelo contrário, foi memorável, graças a filmes como Santiago e Jogo de Cena. 2008, no entanto, foi bem fraco. Como prova: Listo e lembro abaixo somente três filmes que acho que merecem o recorte no ano.

(O atual sistema de produção de cinema no Brasil colabora, e muito, para essa escassez de obras mais significativas no período de um ano. Como hoje é realizado o investimento do Estado no cinema do país é de uma burrice paralisante. E enquanto for assim, teremos somente essas migalhas cinematográficas que estréiam todas às sextas-feiras nas salas do Espaço Unibanco. Filmes, a maioria, já pagos pelo dinheiro público e que são vistos só por uma miséria de espectadores.).
Mas bem...Vamos à retrospectiva:

* Serras da Desordem – Andrea Tonacci – Um filme com momentos soberbos. Também de sofisticadíssima riqueza formal. A questão indígena brasileira nunca antes foi tão bem representada (e defendida) como nessa grande obra de Tonacci. Veio para ficar em nossa cinematografia.

* Linha de Passe – Walter Salles & Daniela Thomas – O diretor de Central do Brasil é um grande cineasta. E seu último filme prova isso. Um filme humano, sensível. Uma verdadeira obra de arte.

* Ensaio sobre a Cegueira – Fernando Meirelles – Faço questão que essa produção internacional entre na revisão dos mais importantes filmes brasileiros do ano. Por que Fernando Meirelles - o autor do filme! - é brasileiro, ora. Um excelente diretor brasileiro. Seu filme, mesmo imperfeito, é uma obra com grande força cinematográfica. E com um recado humanista imprescindível para nossos tempos modernos.

27 de dez. de 2008

Retrospectiva Internacional – 2008

Para tentar organizar na mente o que se passou no período de um ano, fazemos listas, revisões... Nem é tanto uma questão de eleger os “melhores”, mas sim peneirar os filmes mais significativos. Buscando pepitas dentro de um rio cheio de pedras sem valor.

* Não estou lá (Todd Haynes) - Original, muito ousado. O camaleônico Bob Dylan interpretado por vários atores que dissecam suas personas. Filmaço. Na forma e no conteúdo.

* Batman – O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan) – É cinemão sim, e daí? Nolan usa toda aquela parafernália de efeitos para expor suas inquietações sobre o mundo atual. A democracia, o terrorismo. Não é pouca coisa.

* O Escafandro e a Borboleta (Julian Schnabel) – Um filme de afirmação da vida. Emocionante sem ser piegas. Melhor que o livro que deu base ao filme. Grande cinema.

* O Segredo do Grão (Abdelladif Kechiche) – A questão imigratória na europa, resistência cultural. Grandes temas que dão sustentação à história de perseverança de um chefe de família que tenta construir e consolidar seu restaurante. Magnífico, seco, e com grandes interpretações.

* Fatal (Isabela Coixet) – Filme que passou em branco tanto pelo público como pela crítica. Uma obra de rara sensibilidade ao tratar dos dilemas de um maduro intelectual. Merece, sem temor, uma locação em dvd e uma redentora segunda chance.

15 de dez. de 2008

Terra Vermelha

Difícil o ofício do crítico. Sem excesso de vaidade pessoal. Analisar um filme socialmente engajado às vezes é uma cirurgia de risco: Ver criticamente as qualidades estéticas do filme sem desmerecer a relevância do tema que ele traz à tona. Temas fundamentais como, por exemplo, a crônica questão indígena no Brasil, assunto de Terra Vermelha.

Não é bom o filme do italiano Marco Bechis. Regular, no máximo. O formalismo cênico e a ânsia em ser didático na construção dramática das seqüências comprometem o resultado final. Os próprios índios mato-grossenses interpretam sua história de luta contra fazendeiros pela posse da terra. Mas eles não são atores, o que gera um desconforto quando contracenam com profissionais.

O filme não está à altura do tema. Serras da Desordem, de Andrea Tonacci, para dar um exemplo recente de filme que tratava do mesmo problema indígena, foi muito mais longe como linguagem e tinha também mais contundência.

2 de dez. de 2008

Queime depois de ler

Quando o assunto é os irmãos Coen, é preciso encontrar um equilíbrio. Os diretores do oscarizado Onde os fracos não têm vez não são os gênios que “dissecam a América de Bush”, nem uma dupla de cínicos diante de seu país e o mundo. Eles são, na verdade, inteligentíssimos cineastas, com extremo domínio de linguagem e um tipo de humor único. Às vezes fascinante. E com a mediocridade criativa reinando em Hollywood, um novo filme de Joel e Ethan Coen é sempre um bom respiro.

Queime depois de ler é uma comédia que, para se rir dela, é necessário entrar no “tom” adequado. Entender o registro do filme . Os Coen brincam com os gêneros de maneira muito articulada. Por isso, o filme não é nem (ou só) uma sátira, como também não é apenas uma comédia de erros com toques de humor negro. Em algum lugar entre essas classificações se encontra o cinema dos diretores. Um cinema de personalidade.

Para quem, então, conseguir embarcar na história que envolve cirurgia plástica, mal entendidos conspiratórios e mais uma série de personagens inusitados poderá se divertir imensamente. E também encontrará, sim, críticas aos valores que imperam nos Estados Unidos e no resto do planeta globalizado: A obsessão estética, a paranóia, a imbecilidade da cultura de massas. Nada que renda uma tese de mestrado sobre o filme. Mas dá para gargalhar com suas sutilezas e atuações inspiradas.

24 de nov. de 2008

Romance

Após se exercitar em comédias tanto na televisão como no cinema, o diretor Guel Arraes arrisca uma história de amor mais autoral e cheia de metalinguagem. Quanto há de verdade num caso amoroso? Qual a parcela de representação numa declaração apaixonada? Ficção versus realidade. Arte e vida num emaranhado de difícil desato. Boas propostas, mas que ficam a dever no resultado final. Falta sal e sobra açúcar no novo filme do cineasta pernambucano.

Os dilemas de paixão e amor permeiam o filme, mas não envolvem o espectador. O texto é bem pensado e inteligente, mas fica sem vida na boca dos atores. Que são bons, porém engessados. Uma fotografia edulcorada e uma trilha melosa não ajudam também o filme de Arraes. Um diretor que merece respeito por conseguir qualidade e apelo popular em O Auto da Compadecida e Lisbela e o Prisioneiro, mas que não chega lá em seu Romance.

17 de nov. de 2008

Vicky Cristina Barcelona

Woody Allen é um cineasta contemporâneo, no sentido mais amplo do termo. Homem curioso e atento ao mundo que o cerca. Um tema atualíssimo como a cobiça material, por exemplo, foi o eixo central de dois de seus últimos filmes: Match Point e Sonho de Cassandra. Em sua nova obra, Allen discorre novamente sobre assuntos que no dia de hoje (!) inquietam nosso ser e estar no mundo.

O cineasta nova-iorquino é ainda um dos maiores do cinema. E um dos motivos para isso é que ele sabe muito bem reinventar-se como artista. Não repete fórmulas ou teses sobre assunto nenhum. Pode haver, claro, recorrências temáticas. Mas o que muitos críticos não se dão conta é que cada filme seu é uma obra singular, que merece sempre olhos frescos e respeitosos.

Não deve haver rótulos a diretores de cinema, por que engessam as possibilidades para novas leituras sobre suas obras. No caso de Allen, o que há ao acompanhar sua carreira é constatar o amadurecimento contínuo de sua visão sobre o cinema, o amor, a vida. E Vicky Cristina Barcelona é reflexo de tudo isso. É bobagem repetir a cada ano que seus filmes não ficam “aos pés” de suas obras-primas dos anos 80.

Vicky Cristina Barcelona é um ótimo filme. Sutil, inteligente. Muito engraçado. A mudança de ares do cineasta (é seu 4º filme rodado na Europa) só tem ajudado sua arte. Refletir sobre o amor e seus atuais conceitos e dilemas... Esse é o maior anseio do diretor, ao contar a história de duas amigas norte-americanas, Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson), que em Barcelona embarcam numa roda viva de novas experiências amorosas junto de um pintor de telas sedutor (Javier Bardem), e sua ex-esposa neurótica (Penélope Cruz).

13 de nov. de 2008

Rocknrolla

Guy Ritchie volta ao submundo inglês de seus primeiros filmes. Retorna ao universo de traições e mal-entendidos que fez a fama do cineasta no final dos anos 90. Em Rocknrolla, assim como em Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e Snatch, Ritchie constroe uma brilhante teia de interesses e desinformações. Quase uma comédia de erros movida pela ganância de variados grupos étnicos e criminosos. De narrativa ágil e inventiva, o novo filme do cineasta dá um passo além em qualidade na obra do diretor, e consegue ser mais denso que seus filmes anteriores.

Nas entrelinhas do enredo bem articulado de Rocknrolla há um fascinante distanciamento em relação a esse universo de Sexo, Drogas e Rock & Roll. Um dos trunfos do filme é esteticamente(posição da câmera, luz, trilha..) alcançar uma relação crítica com o que é mostrado na tela. Seja na tortura de um chefão do crime, ou na desmistificação de um usuário de crack fumando sua pedra.

Para quem tiver sensibilidade para notar, verá que todo o filme é amarrado em função de uma obra de arte, um quadro que nunca é mostrado de frente ao espectador. Uma pintura com suas implicações não só práticas para o roteiro, mas filosóficas, é o que move a narrativa e o que dá margem para justificar uma atenção apurada a este filme.

Sementes muito interessantes foram lançadas neste Rocknrolla. Grãos que devem frutificar com mais clareza ao longo da trilogia que esse filme dá início. Um projeto já em elaboração por Ritchie. Mesmo que, talvez, menos cativante e engraçado que seus filmes anteriores, Rocknrolla merece atenção redobrada daqueles que erroneamente convencionaram desprezar o “cinema de Hollywood”.

11 de nov. de 2008

O Silêncio de Lorna

Os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne seguem firmes em seu projeto estético-humanista. Ao mesmo tempo rigoroso e despojado, o mais recente filme dos cineastas belgas é exemplo do mais refinado tratamento dramatúrgico. Pois não foi com um manual de roteiro hollywoodiano debaixo do braço que se construiu filme com tamanha contundência e sensibilidade.

Lorna (Arta Dobroshi) é a imigrante albanesa que se casa por conveniência e contrato ilegal com um belga viciado em heroína (Claudy), visando assim conseguir a cidadania européia. Dentro de um submundo de casamentos forjados, de aspereza humana e ética, Lorna deve lidar com cautela suas ambivalências e desejos pessoais. Resistindo como pode ao mundo embrutecido que a cerca.

Não há personagens rasos no cinema dos Dardenne. Tanto a protagonista, como as outras peças desse enredo, são todas dotadas de complexidade e nuanças. E é fundamental para o resultado final o primor das interpretações de seus atores. Como Lorna, Arta Dobroshi é de uma entrega fascinante.

Grandes temas atuais embasam o filme: A questão da imigração clandestina na Europa, dependência química, a obsessão pelo dinheiro. Mas todos eles refletidos no pano de fundo da história da jovem imigrante. O Silêncio de Lorna é um dos mais interessantes filmes recentes. Consegue ser tão bem equilibrado como a anterior obra dos diretores, A Criança, ganhador da Palma de Ouro em 2005. Belo cinema.

7 de nov. de 2008

Última Parada 174

Não há razão para o novo filme de Bruno Barreto existir. Após obras nacionais como Pixote, Cidade de Deus e do documentário Ônibus 174, Última Parada nada contribui para a história de nosso cinema ou para o debate social do país. Uma verdadeira nulidade cinematográfica.

Após dezesseis longas metragens, já era hora de Bruno Barreto ter aprendido a fazer cinema. Este seu último filme mais parece a estréia de um novato atrás das câmeras. Com um roteiro esquemático, previsível, e com uma montagem irritantemente linear, talvez somente do protagonista possa se extrair algum adjetivo positivo. Temas como maternidade, mídia e criminalidade aparecem aqui e ali, mas são tratados de maneira rasa e pouco convincente.

Muitos são os equívocos de Última Parada 174. Erros conceituais que vem desde a gênese do projeto. Porém o cineasta peca principalmente pelo excesso de piedade ao contar a história do garoto Sandro, assassinado por policiais após seqüestro de ônibus no Rio de Janeiro. Piedade tacanha, Sr. Barreto, não serve para nada!