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2 de jun. de 2009

Star Trek

J.J Abrams, a mente por trás de Lost, é o responsável pela reinvenção da franquia criada por Gene Roddenberry no final dos anos 60. E como acontece no seriado que virou fenômeno mundial, e também acontecia no star trek clássico, o novo filme usa com habilidade a viagem no tempo para contar a história dos agora jovenzinhos Kirk, Spock e McCoy.

O filme funciona. Não precisa ser trekkie (nerd que se fantasia para ver o filme) para embarcar na utopia sonhada por Roddenberry: um futuro em que a humanidade alcança a paz na Terra e usa o avanço tecnológico para o bem universal. O novo filme acertou também na escolha do elenco, com menção honrosa para Zachary Quinto no papel de Spock. Ele não possui a densidade que tinha a performance de Leonard Nimoy, claro, mas o garoto segura as pontas muito bem.

1 de jun. de 2009

O curioso caso de Benjamim Button


13 indicações ao Oscar e vencedor em 3 categorias, Benjamin Button conta história de um homem que nasce velho e, misteriosamente, começa a rejuvenescer. Adaptado de um conto de Scott Fitzgerald, o filme erra ao esticar demais uma premissa brilhante. Falta foco ao filme de David Fincher (Zodíaco). Muitos personagens e o abuso de clichês travam o desenvolvimento do enredo.

Não parece o tipo de filme que Fincher dirigiria. Acompanhando uma carreira que inclui os poderosos Seven e Clube da Luta, estranha a falta de personalidade do filme estrelado por Brad Pitt e Cate Blanchet.
O filme tem a “cara de Oscar” (grande produção, astros em papéis dramáticos, um piano tocando na trilha). Desconfio que o filme foi só uma encomenda ao talentoso diretor. Fincher pode muito mais.

29 de mai. de 2009

Budapeste


Preciso ver de novo para consolidar as impressões que tive, mas à primeira vista achei brilhante o filme dirigido por Walter Carvalho, baseado no livro de Chico Buarque. Não é fácil filmar um romance do compositor. Ruy Guerra (Estorvo) e Monique Goldenberg (Benjamim) já se aventuraram na tarefa, mas Budapeste me parece a melhor reinvenção (“adaptação” não é um bom termo) para cinema de um romance do Chico.

Cinema e Literatura estão sempre em confluência. Duas linguagens distintas, com suas especificidades. E Walter Carvalho domina tão bem seu ofício cinematográfico que traz para a tela o espírito do livro com imenso talento. Filme e livro se complementam. Experiências diferentes e ambas muito prazerosas. Budapeste, filme e livro, expressa dilemas e sensações muito atuais, reflete um pouco como é ser e estar nesse mundo globalizado.

23 de mai. de 2009

CHE - O Argentino

Não me convence o filme de Steven Soderbergh sobre Guevara. Para ser bem sincero, acho Che - O Argentino uma verdadeira canastrice. O já ganhador da Palma de Ouro em Cannes (por Sexo, Mentiras & Videotape) buscou um relato “imparcial” do guerrilheiro, um olhar distanciado sobre a Revolução Cubana. O resultado é um filme frouxo, medíocre. A montagem é uma concha de retalhos, o roteiro uma porção de frases de efeito. A câmera de Soderbergh não tem cumplicidade com seu protagonista, e nem quer ter. Cada plano, cada fala que Benicio Del Toro pronuncia serve para explicitar só uma verdade: “Calma, não estamos tomando partido. Che foi um cara fascinante e tal, mas não somos simpatizantes do cara, não. Este filme é um filme que tenta ser neutro”.

Suspeito que a realização de um filme como este serve apenas como produto para o espectador dito “cult”. Aquele que usa óculos com armação de plástico (preto, de preferência) e paga de intelectual na fila do Espaço Unibanco. Hollywood querendo fazer "filme de arte". Prefiro Walter Salles e seu Diários de Motocicleta. Muito mais cinema, com coragem de assumir para quê veio. Não que Salles tenha feito um filme de esquerda ou algo do tipo. Mas o diretor brasileiro teve peito e assumiu na tela certa solidariedade com o jovem Ernesto Guevara. O Che do Soderbergh não possui coração, nem alma, nem coisa nenhuma.

22 de mai. de 2009

Garota Ideal


Lars (Ryan Goslin) é um jovem pacato e humilde. Cristão tão fervoroso que não perde a primeira missa de domingo. Até aí tudo bem. O problema é que se Lars não possui nenhum desafeto, muito menos possui um colega mais chegado que possa convidar para uma cerveja sexta à noite... Lars é mesmo um solitário total. Tão leigo na arte de se relacionar que rejeita o toque de outro ser humano. São essas as linhas gerais do personagem central de Garota Ideal. Um drama de imensa sensibilidade e com inesperados toques de humor.

Um pouco de compaixão já basta para se deixar envolver pelo longa de estréia do diretor de publicidade Craig Gillespie. A melancolia do personagem principal é tanta que ele decide comprar uma “namorada” pela Internet. Isso mesmo. Por um bom preço e alguns cliques pede pela rede uma rosada boneca plástica. A tal garota ideal. Toda ela seguindo as especificações de Lars: boa largura dos quadris, o perfeito tamanho de busto. Quando sua “companheira” chega pelo correio, se inicia uma curiosa história sobre a solidão e suas tristes consequências.

Um filme bem acabado, competente na escolha dos enquadramentos, econômico na trilha musical. Mas o talento de Ryan Goslin (Lars) se destaca. Um grande ator. E não uso o adjetivo de maneira leviana, não. Desde o pungente Tolerância Zero (The Believer) já dava para notar sua força. O rapaz tem no currículo também uma indicação ao Oscar por Half Nelson (2007), que não chegou a estrear no Brasil. Seu carisma é o “algo a mais” de Garota Ideal.

20 de mai. de 2009

Wilson Simonal - Ninguém sabe o duro que dei


Muitas são as qualidades do documentário sobre o cantor cheio de swing Wilson Simonal. Grande sucesso nos anos 60 e início dos 70, Simonal teve sua carreira manchada por episódios mal explicados na época, que o envolviam em um caso de espancamento e um relacionamento ambíguo com o governo militar. Em pouco menos de 90 minutos o filme consegue dar conta do talento, do carisma e das contradições de Simonal.

Um documentário jovem, dinâmico. Montagem de primeiríssima, exemplar trabalho de pesquisa. Os jovens diretores Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal revisitam com equilíbrio um personagem que viveu tanto o sucesso inebriante como o amargo ostracismo. Um filme que só comprova a força brasileira para a realização de documentários. Wilson Simonal – Ninguém... transpira energia e rebolado, como seu protagonista.

23 de abr. de 2009

Uma caminhada com Coutinho

Quinta-feira, 20:00h. Um encontro de duas horas com o documentarista Eduardo Coutinho, organizado pela Casa do Saber. Fui sem pestanejar. O diretor expôs sobre seu método e filosofia de filmagem. Com seu mal-humor e cigarros costumeiros, Coutinho ratificou seu cinema pautado pelo humanismo, pela ética e compreensão do “outro”.

“... não tiro a câmera do lugar porque eu acho que o rei é o outro, o rei não é o diretor/artista, não é a câmera; o rei é o outro. [...] Eu quero conhecer a razão do outro, não a minha”. Disse o diretor em depoimento a Cláudio Valentini, no livro O Cinema segundo Eduardo Coutinho.

Terminado o evento, fui conversar com o mestre sobre seu último filme, Moscou, ainda inédito nos cinemas, mas que vi no Festival É tudo verdade. “Diferente do que muita gente pensa, gostei muito do filme”, disse a Coutinho. Descemos juntos pelo elevador. Como mora no Rio, Coutinho estava hospedado num hotel próximo da escola. Humildemente, pedi para caminhar com ele até o local. Duas quadras de caminhada, de conversa descontraída entre pupilo e seu tutor... Que fala pouco, que fala para dentro, mas diz o essencial.

Você tem mesmo uma obsessão pela morte em seus filmes, Coutinho. O fim e o princípio, agora Moscou. Filmes que falam da finitude.

Eu tenho uma obsessão pela morte, sei lá. É o que vale ser filmado. É o que me interessa, que é uma tragédia... O homem é essa coisa: que nasce, vive e sabe que vai morrer... Não dá pra fugir.

Mesmo como todo esse seu mal-humor e ansiedade, você continua optando por projetos de risco. Babilônia 2000, O fim e o Princípio. Filmes que poderiam não acontecer. Por quê essa opção?

Se eu não arriscar. Vou fazer o quê da minha vida?

Tem que se aventurar, então?

Exato.

E essa desconfiança com os intelectuais? De onde vem?


Pela história do século XX... Pela arrogância, sabe? A religião é o ópio do povo... tenho horror disso! Precisa ser tão arrogante?

Mas mesmo assim eles são um auxílio para entender os filmes que fazemos.

É. Eu sei que meu filme não vai passar no sertão da Paraíba. Sei que tem esse fosso, que não dá pra ultrapassar. Então eles ajudam, lógico.

Obrigado pela atenção, Coutinho. Josafá é meu nome. Prazer imenso.

Certo, certo. Até mais. Amanhã tenho um dia de louco...

15 de abr. de 2009

O equilibrista


Surpreende o documentário ganhador do último Oscar, em cartaz nos cinemas. Não tanto pela forma, que se apóia em entrevistas, reconstituições e material de arquivo. Mas é realmente fascinante a história de Philippe Petit, um excêntrico malabarista francês que nos anos 70 sonhou atravessar as torres gêmeas usando somente um cabo de aço e uma vara. O homem levou seis anos planejando a empreitada e com uma equipe de aventureiros alcançou o feito. Com apenas 24 anos de idade, Petit foi e voltou oito vezes de uma torre à outra. É belo e admirável ver na tela o sucesso da obsessão de Petit.

Mas por quê arriscar passear entre os dois prédios mais altos do mundo? Para quê? O filme não cai na armadilha de tentar encontrar respostas fáceis. Nas entrelinhas pode-se suspeitar as motivações do protagonista, como também as conseqüências que sua performance ocasionou. Um bom filme, para ver na tela grande. Impressiona tamanha audácia.

9 de abr. de 2009

Santiago em DVD

Roda da Fortuna, de Vincent Minelli. O filme favorito de Santiago.

Um filme que vi nove vezes no cinema. Nove!. Santiago, de João Moreira Salles, sai agora em Dvd. Em 1992 o diretor realizou entrevistas com o antigo mordomo de sua casa e família, visando montar um filme documentário sobre ele. Não conseguindo editar o material na época, Salles volta à sala de edição somente em 2005, articulando as imagens filmadas de uma maneira muito livre e pessoal.

Família, a fugacidade do tempo, morte. Muitos temas que o filme evoca e desenvolve. Mas Santiago não busca esgotar razões ou significados. É uma obra de fragmentos, lacunas, elipses. Quando da estréia do filme, escreveu o crítico de cinema do Estado de São Paulo, Luiz Zanin Oricchio: “O filme é feito assim de vácuos e buracos negros. Como se, através do seu personagem, o artista que é João Moreira Salles procurasse de alguma forma aproximar-se de algo que não pode ser apreendido. Um mistério próximo e distante, algo em que o cinema sempre aspira a se converter, nessa filmagem do invisível buscada por gente como Tarkovski e Kieslowski”.

Biscoito finíssimo.

4 de abr. de 2009

Luz silenciosa

plano do filme
Um filme que ficou pouco nos cinemas. Mas que vi agora em dvd e possui realmente muita força. Luz silensiosa, do mexicano Carlos Reygadas. Belíssimo, uma obra que busca registrar a transcendência, o mistério. Vejam, ou melhor, sintam o filme. Dá para alugar na 2001.

Reygadas, assim como Bresson e Dreyer, tenta com o Cinema tocar o sublime. O infinito. Irei atrás disso nos filmes que farei.

29 de mar. de 2009

O Cinema 3D


Hoje, um dos melhores filmes em cartaz é O fundo do mar. Um documentário de 40 minutos sobre belezas e mistérios do oceano, projetado nas salas Imax 3d. Faço questão de lembrar do filme por uma simples razão: Exibido em formato tridimensional, O fundo do mar é uma experiência e tanto. De alumbramento quase infantil. Audiovisual como ele dever ser.


Vejam o filme. E recomendo não pelas valiosas informações que dá ao espectador ou por seu "roteiro brilhante". Nada disso. Vejo atualmete a arte do Cinema em crise: Novas mídias, menos público, filmes horríveis... O Cinema deve se reinventar. Medida urgente. Não é só com historinha de papai e mamãe em perigo que se pode fazer filmes.

Um curta de um colega> Luis labaki. Da ECA-USP



24 de mar. de 2009

O novo cinema do velho Clint

Dois filmes de Clint Eastwood nos cinemas. A troca e Gran Torino. Difícil escolher qual é o pior entre os dois. Irritantemente convencionais tanto na forma como no conteúdo. A troca é um pretexto fajuto para encher de prêmios a estante de Angelina Jolie. Um melodrama descabelado sem competência para a construção de personagens críveis. Um maniqueísmo tão simplório como o de uma novela mexicana.

Gran Torino é um western disfarçado. O próprio Clint interpreta uma espécie de Dirty Harry aposentado que deve trazer ordem ao seu bairro contaminado de delinqüentes. Seu personagem, como acontecia na tradição do western clássico, deve se sacrificar em prol da comunidade. Banal, para dizer o mínimo.

Eastwood nunca foi um grande cineasta. Mesmo que alguns de seus filmes tenham alcançado uma rara sensibilidade no cinema americano, como no caso de Pontes de Madison e o mais recente Cartas de Iwo Jima. O alarido que há sobre sua figura e seus filmes só acontece em razão da força mítica que o velho Clint traz consigo. Ele é um mito vivo. Mas só. Seus filmes não se tornam mais relevantes por causa disso.

18 de mar. de 2009

Novas luzes sobre Hitchcock

Intrigante a leitura de Fascinado pela BelezaAlfred Hitchcock e suas Atrizes, editado pela Laurosse. A terceira biografia do crítico norte-americano Donald Spoto sobre o mestre do suspense. Nessa nova obra, verdadeiras hecatombes sobre a vida pessoal de Hitchcock são reveladas cruamente. Ao invés de um gordo simpático e bonachão, que era como Hitchcock gostava de se vender, conhece-se agora um homem sexualmente reprimido, sádico e imaturo. Obsessivo e infeliz.

Disse uma vez o cineasta ao autor: “Eu tenho todos os sentimentos de todas as pessoas presos em uma armadura de gordura”. Para Robert Boyle, constante diretor de Arte nos filmes do cineasta, Hitchcock achava que não era atraente fisicamente, mas ao mesmo tempo reconhecia que tinha os mesmo desejos que os outros sentiam e frustrava-se pelo que sentia ser uma dificuldade, se não uma impossibilidade, de experimentar o amor recíproco.

Dentre outras revelações até agora impensáveis da vida de Hitchcock estão o seu gosto por piadinhas de duplo sentido, truculência nos sets de filmagem e até casos de assédio sexual. O mais grave decorrente de sua relação quase doentia com ‘Tippi’ Hedren, sua musa em Os Pássaros e Marnie. O diretor chegou a ameaçar destruir a carreira de Hedren em Hollywood caso ela não se deitasse com ele. Barra pesada, Alfred...

Mas o mais relevante de todas essas novas informações de cunho mais privado é que agora podemos ver sua obra usando novas lentes. Dentro de uma nova perspectiva de análise e apreciação. A angústia daquele homem autoritário. Seu voyeurismo diante do mundo, suas paixões reprimidas. Tudo isso está expresso em seus filmes. Suas obras falam, mais que tudo, sobre o próprio Hitchcock. Sua dor era sua arte.

Depois da leitura do livro de Spoto, nossa compaixão por Scott (James Stuart em Vertigo), Normam Bates e Marnie devem aumentar consideravelmente. Todos eles eram facetas atormentadas do mesmo artista.

17 de mar. de 2009

Blog Reinventado!

Ano novo, vida nova. A partir deste momento o CINE-VERDADE ampliará seu leque de ações. Quero ir além, e não somente escrever sobre os filme em cartaz nos cinemas, como tenho feito até aqui. Decidi também elaborar artigos, ensaios, crônicas, sobre o Tema Cinema... Infinito como qualquer outro.

Será uma mudança que virá muito bem a calhar para todos nós; tenho certeza. Autor e leitores terão o espírito reinventado.
Vamos indo... cantando arte.
sempre mudando.

21 de jan. de 2009

Férias com Maiúscula

Caros amigos de blog,

Vou embarcar para CUBA! Viajar pela América!

Estudar o CINE-VERDADE! A 7º. Arte!

Semear novos GRÃOS DO TEMPO!

Até o mês de março escreverei somente no seguinte espaço:

http://cuba-doc.blogspot.com/

Volto em breve neste espaço. No dia 01.03.09.

Abraço a todos.