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26 de nov. de 2007

Noel - Poeta da Vila

Um tanto quanto fria esta biografia de Noel Rosa. Há um artificialismo, principalmente nos diálogos, que muito incomoda. Falta o calor e a sensualidade vista em filmes como Cidade Baixa de Sérgio Machado, ou Madame Satã de Karim Aïnouz .


Rafael Raposo - que interpreta o sambista - muito se esforça, mas é nítida sua inexperiência na arte da interpretação. O que o filme têm de melhor é mesmo Camila Pitanga. Além de bela, Camila é excelente atriz, compondo uma Ceci ao mesmo tempo amarga e doce.


Em suma, o personagem é maior que o filme. A melhor forma de conhecer Noel Rosa é ainda ouvindo seu sambas.


22 de nov. de 2007

Jogo de Cena (2)


Continuando...

Já disse uma vez o diretor Nelson Pereira do Santos que a linguagem do documentário é muito mais complexa que a de ficção”. Palavras essas vindas de um cineasta que já atuou com mestria nesses dois universos (gêneros?) do cinema.

Relembro a frase do diretor de Vidas Secas porque é importante notar que tanto Santiago, como Jogo de Cena, são filmes que colaboram para a evolução do debate sobre cinema e, sobretudo, sobre a linguagem do documentário. Santiago de João Salles, por exemplo, é tanto um filme sobre seu mordomo, como também sobre os dilemas da arte de realizar um filme de caráter documentário. Seus limites de objetividade, de ética.

Jogo de Cena reflete também sobre os limites do cinema de não-ficção. Como o dilemas de se alcançar a "verdade” numa entrevista, por mais emocionante e verdadeira que ela possa parecer. Coutinho, neste seu último filme, radicaliza questões que persistem em seu cinema desde Santo Forte, de 1997. Até que ponto vai a verdade e a representação? Se nós todos estamos em constante representação em nosso dia-dia. Imagine então em frente de uma câmera...

Ao chamar atrizes para representar depoimentos reais, Coutinho reafirma sua convicção de que não há verdade objetiva no documentário. A única verdade que existe é a do ato de filmagem. A arte do encontro entre cineasta e seu personagem. Disse Coutinho numa conferência do É tudo verdade, em 2001:

Na verdade, mesmo no filme etnográfico ele (o diretor) não filma o real, ele filma um encontro entre um cineasta e o mundo. O documentário é isso: o encontro do cineasta com o mundo”.

Jogo de Cena é um dos mais emocionantes e geniais filmes do mestre.

Jogo de Cena


Pois bem. Com computador 100%, voltamos às atividades. Vi muita coisa nesses dias, boa e má, mas acompanhei principalmente nossos filmes nacionais. Muitas foram as estréias de filmes brasileiros, e falo primeiramente do novo filme de Eduardo Coutinho, Jogo de Cena. Que com certeza merecerá mais linhas que as escritas abaixo.

O ano de 2007 está terminando e já surge a tentação de apontar os “melhores filmes do ano”. É um pouco coisa de (norte) americano, fazer listas o tempo todo, essas coisas. Mas é também saudável olhar a produção cinematográfica em perspectiva, apontar progressos, tendências, etc.

Digo isso porque acho emblemático observar que os dois melhores filmes (nacionais ou não) do ano são filmes documentários: Santiago, a obra-prima de João Salles, e, claro, o novo filme de Coutinho. O cinema - documentário cresce no mundo todo, e vale a pena fugirmos de qualquer sombra de provincianismo para constatar que a produção documental brasileira é uma das melhores do mundo. Sem demagogia.

Ainda nessa lista de “melhores” do ano, sem dúvida ainda incluiria outro documentário, o belo 500 Almas, de Joel Pizzini. Um filme infelizmente pouco visto, mas que, espero, encontre seu lugar na história de nosso cinema. Um filme de imensa sensibilidade, poesia e originalidade.

Continua...

7 de nov. de 2007

Manutenção...

Caros amigos,

O CINE - VERDADE terá um pequeno recesso.

Meu computador está em manutenção, o que me impedirá de escrever nos próximos dias.

Em breve retorno com resenhas de Via Láctea, Jogo de Cena, Noel - O poeta da Vila e Leões e Cordeiros.

grande abraço,

Josafá Veloso

31 de out. de 2007

Renaissance

Em tempos de Mostra de Cinema, filmes que entram em cartaz costumam ser um pouco ignorados pelos jornais. É o caso de Renaissance, que estreou no Espaço Unibanco na última sexta. Um filme realmente fascinante. Uma primorosa animação francesa que mereceria mais atenção do que lhe foi dada.

O ano é 2054, e essa ficção científica ambientada numa Paris futurista nos remete ao cinema noir: A imagem em preto e branco, o policial investigador, uma trama cheia de reviravoltas. Fiquei muito impressionado com o filme. Trata de questões como os limites éticos da eugenia, a busca pela imortalidade. Dá para ver que não é pouca coisa, não.

De alguma forma, o filme reinventa o alerta de Mary Shelly em seu Frankenstein: Cabe ao Homem reconhecer seus limites quanto à manipulação da vida e da morte. Diz o doutor Victor Frankenstein, no início de seu relato:

“... como é perigoso adquirir saber, e quão mais feliz é o homem que acredita ser a sua cidade natal o mundo, do que aquele que aspira a tornar-se maior do que a sua natureza permite”.

A frase acima poderia servir de prefácio para Renaissance. Difícil falar do filme sem entregar sua trama tão bem construída. Prefiro, ao invés de esmiúça-lo mais, estender o convite para que não o percam de forma alguma. Um filmaço ainda para ser descoberto!

21 de out. de 2007

Piaf - Um Hino ao Amor

Piaf, antes de tudo, é o ingresso para uma forte experiência emocional. Beira o dilacerante acompanhar uma vida que tanto oscilou entre a euforia e a depressão.

Mas, um pouco diferente do que tanto se escreveu sobre o filme. Não acho que só Marion Cotillard, atriz que encarna o papel de maneira sublime, deva levar o crédito para o sucesso do filme.

Piaf, tem uma direção muito menos convencional do que parece. Olivier Dahan usa diversos planos – seqüência de maneira extraordinária. É um filme muito bem pensado e construído.

A cena em que Edith acompanha a luta de boxe de seu amado, o lutador Marcel, é um primor na utilização da música e da montagem. Utilizando recursos cinematográficos, que vão além da performance da atriz, o público pode compartilhar a enorme paixão de Edith. Paixão levada de maneira visceral à suas canções. Um belo filme.

16 de out. de 2007

Tropa de Elite (3)

Continuando...

Como disse no texto abaixo, é Matias, e não o capitão Nascimento, o personagem principal de Tropa de Elite. É talvez nele que deveríamos nos identificar e buscar algum direcionamento para que caminho tomar mediante à questões tão sérias.

Mas Matias não poderá exercer esse papel porque, ao longo do filme, ele perderá seus ideais e objetivos originais. Olhemos com atenção. Primeiramente André Matias é frustrado com a corrupção policial, em seguida, vive a impossibilidade de conviver com os estudantes de sua faculdade, usuários e financiadores do tráfico.

E por último, é manipulado por Nascimento para se tornar um assassino frio e brutal como o personagem interpretado por Wagner Moura. O BOPE, juntamente com as demais partes da sociedade, não dá alternativa a Matias a não ser lutar contra a violência com mais violência. Isso é trágico e nos desconcerta.

A execução final, o tiro que mata o traficante Baiano é na verdade um tiro em nós, espectadores. Cabe à sociedade, e não ao filme Tropa de Elite, encarar de frente nossa situação de barbárie. O que o filme nos dá é um beco sem saída, a tela escura e a frustração.

José Padilha quis com seu filme gerar debate, reflexão. Não nos dar alguma esperança ou um “bom programa” para o fim de semana...

Tropa de Elite (2)

Sempre que nos debruçamos sobre um filme, é imprescindível lembrar que o cinema é uma simplificação da realidade. Quem lembrou disso foi o próprio José Padilha, diretor de Tropa de Elite, em entrevista ao Roda Vida na semana passada.

Pois bem, feita a devida ressalva. Gostaria de retomar o pensamento sobre o filme. Uma obra que ainda pedirá muitas linhas de reflexão, tanto aqui como em toda sociedade brasileira.

Vi o filme já três vezes, e creio que um dos motivos do choque que ele provoca é que não há em Tropa de Elite personagem ou grupo social que seja “poupado”. Explico: Após duas horas de projeção, o sentimento é de perplexidade e impotência. Na mão de quem seguraremos em busca de alento ou refúgio para encontrar respostas para a guerra civil não declarada em que vivemos?

Não podemos apelar para a Policia convencional que, principalmente na primeira parte do filme, é retratada como corrupta até as entranhas. Tampouco a classe média (ou elite?) é mostrada como valorosa ou consciente da magnitude do problema que enfrentamos em relação à violência urbana.

A ONG gerida por estudantes, mostrada no filme, é emblemática nesse ponto. Seus membros são insensíveis para desvendar o real problema de um menino da favela com problemas na escola.

A metáfora é clara. O garoto possui problemas de visão, mas é somente Matias (André Ramiro), o personagem mais lúcido de todo o filme, que é capaz de “enxergar” o que se passa.

Continua...

14 de out. de 2007

Tropa de Elite

Bem, como muitos notaram, tive alguns problemas técnicos nesses últimos dias e fiquei impossibilitado de postar no blog. Não sei o que era, simplesmente não conseguia conectar à rede (minha Internet é discada).

E, após esse pequeno recesso, nenhum outro filme poderia ser a pauta deste espaço a não ser o filme que já não é um simplesmente um filme, mas sim, um fenômeno, um filme-evento. De acordo com pesquisa publicada pela Folha de São Paulo, estima-se que aproximadamente 11.5 milhões (!) de pessoas viram ao filme antes mesmo de sua estréia. Nem José Padilha, o diretor do filme, sabe explicar o porquê de tanta procura.

Após sua exibição no festival do Rio, um forte debate sobre Tropa de Elite tomou conta dos veículos de comunicação. O que só prova a força do Cinema como instrumento para debate e reflexão. Uma arte com um potencial impressionante, capaz de pensar nosso tempo.

É no personagem de Matias (André Ramiro), que se deve ter mais atenção.

Capitão Nascimento não é herói, e está longe de sê-lo. Aqueles que se entusiasmam perante o personagem de Wagner Moura não foram capazes de perceber que Nascimento é um homem em crise. Uma crise que nem mesmo ele, o personagem, é capaz de verbalizar com lucidez. É no não-dito e na linguagem corporal do Capitão que suas contradições se revelam.

Cabe ao público, e só a ele, identificar as contradições do discurso do capitão. Um discurso que pode parecer esclarecedor, mas é limitado. Nascimento é resultado de um sistema brutal e em convulsão. Incapaz de ver a situação em que se encontra na perspectiva adequada.

Para uma melhor compreensão de Tropa de Elite, é recomendável reter mais atenção na figura do personagem Matias. É ele o personagem principal do filme, mesmo que não seja o narrador. Com os olhos mais atentos a ele se pode chegar mais perto das reais intenções de Padilha ao realizar o filme.

28 de set. de 2007

Hairspray

Foi nas décadas de 40 e 50 que o cinema viveu a era de ouro dos musicais. É com certeza o mais escapista dos gêneros cinematográficos. Nele não há um pingo de verossimilhança. No meio do filme um punhado de atores subitamente começa a pular e cantar?

Pessoalmente não tenho problemas com isso. Basta lembrar de Gene Kelly e Donald O´conor em Cantando na Chuva, ou mesmo Fred Astaire e Cyd Charisse em Roda da Fortuna. Obras memoráveis que mantêm seu frescor até hoje.

Mas vamos a Hairspray. O filme tem o seu charme, mas peca pelo excesso. Muitas canções, coreografias e também muito enchimento para transformar John Travolta em mulher, numa manobra de marketing sem muita sutiliza. São mais de duas horas de filme. O número musical final beira o insuportável.


Há atores talentosos que sempre valem a pena rever, como Christopher Walken e Michelle Pfeiffer (linda!). A atriz-personagem principal também é graciosa. Porém, mesmo com alguns bons momentos, o filme não acontece. Difícil compreender o entusiasmo de alguns textos sobre o filme. Foi-se o tempo áureo dos musicais.

Nos últimos anos tem havido uma tentativa de revitalizar o gênero. Chicago, Os Produtores, ou O Fantasma da Ópera foram até bem nos cinemas. O primeiro ganhou até Oscar. Mas o único musical recente realmente digno de nota é Moulin Rougue de Baz Luhrmann, que eu acho maravilhoso. Um exemplo de ousadia e talento. Mas o resto...

26 de set. de 2007

Bem -Vindo a São Paulo

Não deixa de ser um projeto interessante: Diversos cineastas participantes da Mostra de Cinema de São Paulo foram convidados por seu fundador e organizador, Leon Cakoff, para realizar um pequeno curta-metragem com suas impressões sobre nossa metrópole. Amos Gitai, Wolfgang Becker, Daniela Thomas, Maria de Medeiros são só alguns dos renomados diretores convidados a registrarem facetas da capital financeira do Brasil.

O resultado é irregular, como não poderia ser diferente num projeto desse tipo, mas infelizmente acaba sendo irregular demais! De tantos curtas acabei gostando de apenas um, talvez dois: O de Tsai Ming-liang e o de Daniela Thomas. Fica evidente que os diretores tiveram pouco tempo para captação de imagens, como também um período reduzido para trabalhá-las.

Leon Cakoff é um humanista, como se prova na leitura de suas reflexões no livro Ainda temos tempo. E talvez tenha valorizado em excesso o potencial que o “olhar estrangeiro” teria sobre nossa cidade.

Por certo, o olhar externo pode nos fazer ver o que não nos damos conta. Porém, o olhar de um recém-chegado pode também ser comprometido pelo simplismo. O que temos em Bem-Vindo a São Paulo é uma colagem de imagens que já conhecemos e que só estimularia, realmente, quem não vive ou conhece a cidade paulistana.

22 de set. de 2007

Pedrinha de Aruanda – Maria Bethânia

Fui ver o filme não pelo seu tema, mas pelo diretor que eu admiro e que acredito que é um do mais interessantes cineastas da atualidade brasileira. Ele é Andrucha Waddington, diretor de Eu Tu Eles e do belíssimo Casa de Areia.

Waddington, em Pedrinha de Aruanda, optou por um registro de observação. Com exceção de uma conversa com Dona Canô, mãe de Bethânia e de Caetano, não há demais entrevistas ao longo do filme. Prioriza-se momentos mais reservados. Filma-se uma mesa de jantar com o clã reunido, uma seresta informal pela madrugada.

O resultado é sensível, mas insatisfatório, senão contraditório. A própria Maria Bethânia que convidou o diretor para realizar o documentário. A produtora da cantora é uma das financiadoras do filme(!). Quais são as chances de Waddington ter registrado Bethânia em sua espontaneidade mais sincera? Maria Bethânia não deve ter "aprovado" o filme depois de terminado?

Não acho que é só porque não sou fã da cantora, mas me pareceu ao longo do filme que Bethânia interpretava Bethânia. Todos representam diante de uma câmera, isso é fato. Mas na maioria das vezes de forma inconsciente. Quando você realiza, ou idealiza, um filme sobre si mesmo, as chances de algo realmente genuíno de si transparecer no documentário ficam mais difíceis. Não é impossível, vide Santiago, mas é muito mais complicado alcançar um resultado que não seja narcisista.

A matriarca da família Veloso, que acaba de completar 100 anos, fecha o filme mais ou menos com o seguinte depoimento: “A fama e celebridade dos meus filhos de nada importa, o que importa é que eles são bons filhos”. Ora, esse filme existiria se Bethânia não fosse uma cantora de prestígio? E por que financiar um filme sobre si próprio se o resultado final não fosse, justamente, a auto-celebração?

16 de set. de 2007

Querô

Só uma pequena reflexão. Vi que Cidade dos Homens não tem feito boa carreira nos cinemas, principalmente em São Paulo. O que acontece? O filme de Paulo Morelli é cheio de qualidades, mas será que a temática da violência que permeia nosso País está saturada? Não interessa mais ao público? Talvez a realidade já seja por demais violenta para que a acompanhemos novamente representada na sala escura. Não sei.

Querô, de Carlos Cortez, é um filme de muita força. Senão realmente muito bom. Espero que não seja ignorado, mesmo que haja uma pequena sensação de déjà vu ao ver o filme. Maxwell Nascimento, que faz o personagem título, é excelente. Em toda aquela revolta contra a sociedade que não lhe dá oportunidades, há um olhar muito humano.


12 de set. de 2007

Santiago (2)

Já vi Santiago algumas vezes, desde a sua estréia. É realmente um filme que muito me comove e emociona. Filmes, livros, ou peças que abordam a Família sempre tem chances de me fazer lacrimejar. Santiago, já escrevi aqui, não é só sobre o mordomo da casa dos Salles, como também é sobre o próprio diretor. Um documentário de auto-reflexão e auto-crítica.

Porém, revendo-o diversas vezes, é notável como seu diretor fez também um documentário coletivo. Coletivo não na sua autoria, mas em seu, digamos, “objetivo maior”. Em outras palavras: João Salles quer que seu filme sirva de registro não só de suas lembranças, mas das recordações de seus irmãos. Um filme-testamento de tempos já passados.

João foi entrevistado pelo Jô Soares no começo da semana. E o diretor pontuou com surpresa e satisfação quanto ao sucesso que o filme tem alcançado junto ao público. É realmente bem curioso. Um documentário (!) de teor tão pessoal e familiar, de edição um tanto quanto ousada, tocar uma considerável gama de espectadores.

Santiago é pessoal, sim, mas prova-se também universal. O que o filme coloca em seu subtexto é a busca de sentido para a existência. Numa vida que muitas vezes é plena “decepção”, como suportá-la? Como conviver com um Tempo tão implacável?

O mordomo, que vivia em um cubículo no Leblon, se refugiava dessa angustia inerente ao ser humano na devoção à Arte, na admiração pelos pintores pré-renascentistas, na cópia de textos sobre a aristocracia mundial e também em danças e exercícios ás vezes sem muito sentido...

João Moreira Salles, acredito (lendo suas entrevistas), fez seu filme em um momento pessoal muito difícil, e retornar à casa de sua infância e mocidade foi a tentativa de compreender o que é, emfim, a vida. Há nela algum sentido? Santiago (o homem) lhe ajudará a refletir essas questões.

2 de set. de 2007

Cidade dos Homens

E não é que o filme é bom! Vi o filme com um grupo de amigos no último sábado, e a opinião era unânime: Tínhamos visto um belo filme.

Caindo na fácil tentação de comparar Cidade dos Homens com Cidade de Deus, chegamos à conclusão que, em alguns aspectos, a recém estréia é até melhor do que o filme que virou referência do cinema brasileiro no mundo todo.

A pauta do filme de Paulo Morelli é clara: Como a honesta parte da comunidade da favela faz para sobreviver no meio da guerra civil não declarada que é o conflito no mundo do tráfico de drogas. Temática essa só pincelada por Fernando Meirelles em seu Cidade de Deus... Mas vamos ao que interessa!

Pelos olhares de Acerola e Laranjinha, vemos a luta pela sobrevivência diária, a busca por uma estabilidade familiar e os dilemas de pensar um futuro mais esperançoso num mundo tão violento e sem perspectiva.

Se vocês se lembram. Cidades de Deus terminava com um grupo de pré-adolescentes (crianças?) seguindo a cartilha do tráfico e da violência. Notícias de uma Guerra Particular, documentário de João Salles sobre o tráfico no Rio de Janeiro, fechava com um funeral de um traficante e de um policial mortos no conflito. Finais céticos, senão pessimistas em não apontar nenhuma solução ou alento para um problema tão complexo.

Cidade dos Homens prefere ver uma luz no final do túnel, e na última cena em que os dois amigos caminham no amanhecer há a sugestão da possibilidade de um futuro melhor. E por que, não? Sem cair em falsas ilusões, não vale mais a pena sugerir a esperança ao ceticismo?

Gostei demais do filme e fica aqui a recomendação...