Foi assim com o mexicano Alfonso Cuarón, diretor de Filhos da Esperança, que acaba de sair nas locadoras. O cineasta chamou atenção há alguns anos com E sua mãe também, filme sobre a jornada de amadurecimento de dois adolescentes mexicanos.
Ganhando prêmios por todo o mudo, o diretor foi convidado para tomar as rédeas da terceira parte da série Harry Porter. Não vi esse filme, mas muitos fãs do bruxinho me garantiram que o filme era bem superior aos dois primeiros, dirigidos por Cris Columbus (Esqueceram de Mim). Alfonso Cuarón é bem talentoso e aparece agora com um filme que aponta para onde a humanidade pode chegar no futuro, se não olhar seu presente com mais cautela.
Filhos da Esperança alerta para um futuro próximo (2027) em que a raça humana não é mais capaz de se reproduzir. Caminha para sua extinção. Mas a esterilidade tomou conta não só de nossa biologia, mas também de nossa solidariedade com o outro. Racismo e questão imigratória são tratados como casos de polícia numa Inglaterra intolerante e em estado de guerra.
Nesse painel de desolação acompanhamos a luta de Theodore Faron (Clive Owen), burocrata que busca proteger uma jovem que carrega a criança que pode ser a “esperança” para um Mundo sem perspectiva.
O filme possui pelo menos duas cenas magistrais. Quando planos-seqüências nos deixam mais próximos da veracidade das cenas. Minutos inteiros passam sem que um único corte na montagem nos distancie de uma Londres que virou campo de batalha.
Pegando um pouco carona com o post anterior, Filhos da Esperança é também cheio de admiráveis intenções. Mas parece que por estar sempre lembrando o espectador que, afinal de contas, HÁ esperança para a humanidade, seu filme perde a força que poderia ter.
O tom quase divino dado à criança recém nascida e a todo o final do filme me parece um pouco descabido. Lembra aquelas peças de igreja natalinas, com Maria ninando Cristo ao som de uma irritante música-coral... Mesmo com as boas cenas de ação, nos finalmentes de Filhos da Esperança já não há muito interesse em acompanhar o apático Clive Owen tentando salvar o filme, quer dizer, o Mundo...